
Seu pedido online não chegou? Saiba seus direitos em 2026
O Código de Defesa do Consumidor garante reembolso duplo ou substituição imediata se o prazo de entrega não for cumprido. Nova resolução da ANPD reforça exigências para lojas virtuais.
Aplicam-se a todos os consumidores que compram em plataformas nacionais ou internacionais com entrega no Brasil. O direito vale mesmo em promoções, black fridays e encomendas internacionais.
Você pagou, aguardou semanas — e o pedido simplesmente não aparece. O sistema mostra “entregue”, mas você não recebeu nada. Essa cena, cada vez mais comum no comércio eletrônico, deixou de ser aceitável com a nova interpretação conjunta entre Procon e ANPD.

Qual é o prazo legal para entrega?
A regra básica está no artigo 37 do CDC, que estabelece que o fornecedor deve entregar o produto no prazo informado ao consumidor. Caso contrário, o consumidor pode optar pela substituição imediata ou pelo reembolso em dobro.
A jurisprudência recente — incluindo decisões do STJ em 2025 — entende que a simples não entrega após 30 dias do prazo estipulado já configura descumprimento grave, independentemente de culpa ou força maior não comprovada.
O prazo máximo legal para entrega, quando não informado, é de 30 dias corridos a contar da data de compra — não da confirmação do pagamento ou do envio.

Como comprovar que o produto não chegou?
A primeira atitude do consumidor deve ser verificar o número de rastreamento no site da transportadora e no e-mail de confirmação da loja. Muitas vezes, o status “entregue” é registrado incorretamente.
Se o rastreamento não mostra atualizações há mais de 7 dias após o prazo ou indica “entregue” sem comprovação de assinatura, o consumidor já tem base sólida para exigir seus direitos.
O Procon recomenda salvar prints da tela com dados da compra, histórico de mensagens com o vendedor e até capturas de status do rastreio. Tudo isso pode virar prova em caso de disputa.
Reembolso em dobro: quando e como solicitar?
O reembolso em dobro só é obrigatório quando o consumidor não recebeu o produto e opta por rescindir o contrato. O valor devolvido deve incluir o preço pago + taxas de envio + eventuais juros.
A loja não pode impor troca ou crédito como única solução. “O consumidor não pode ser lesado com burocracia indevida”, explicou a advogada especialista em direito do consumidor, Luciana Mendes, ao portal.
Se o vendedor recusar o reembolso, o consumidor pode registrar um boletim de ocorrência eletrônico ou protocolar reclamação no Reclame Aqui e nos órgãos de defesa do consumidor.
O que fazer se a loja não responde?
A primeira tentativa deve ser por canal oficial (e-mail, chat ou formulário) com prazo mínimo de resposta de 5 dias úteis. Se não houver resposta, o consumidor tem 3 caminhos:
- Protocolar reclamação no Procon do seu estado;
- Entrar com ação judicial small claims (valores até 40 salários mínimos);
- Denunciar ao Ministério da Justiça e Segurança Pública via plataforma e- SAC.
É importante saber que o prazo para reclamar é de 3 anos a partir da data da compra — não do dia em que o produto deveria ter chegado.
Lojas que usam terceirizados (marketplaces) também são responsáveis solidárias. Ou seja: se a loja não responde, o consumidor pode cobrar diretamente da Amazon, Mercado Livre ou Shopee.
Exceções reais? Só com prova concreta
Força maior (como desastres naturais) e casos fortuitos podem isentar a loja, mas precisam ser comprovados com documentos oficiais (relatório da Defesa Civil, decreto municipal, etc.).
“Falta de estoque, greves de transportadoras ou erros logísticos internos não configuram força maior”, esclareceu o advogado especialista em direito consumerista,Carlos Roque.
A loja tem o ônus da prova. Ou seja: se ela alegar um impedimento, é ela quem deve comprovar que o problema foi inevitável e imprevisível.
Como evitar problemas antes de fechar a compra
Antes de clicar em “comprar”, verifique:
- Se o prazo de entrega está claro e realista;
- Se a loja possui CNPJ registrado e endereço físico;
- Se há avaliações reais (não apenas 5 estrelas genéricas);
- Se o site possui o selo de segurança e política de devolução visível.
Preferencialmente, evite comprar em lojas estrangeiras sem canal de atendimento em português. Se o item não chegar, a execução do direito se torna muito mais complexa e cara.
Em 2026, plataformas que não exibirem claramente o prazo de entrega e a política de reembolso estarão sujeitas a multas de até R$ 100 mil por infração, segundo nova resolução da ANPD em parceria com o MDIC.
A nova regra sobre devolução pós-entrega
Além da não entrega, outra nova orientação do CDC em 2026 é: se o produto chegar com defeito ou for diferente do combinado, o consumidor tem 90 dias para reclamar — e a loja deve arcar com os custos de devolução.
Isso vale mesmo para itens usados, desde que o defeito não seja decorrente de uso indevido. O vendedor não pode exigir que o consumidor leve o produto a uma assistência técnica.
A boa notícia é que, com a nova tecnologia de rastreamento inteligente e inteligência artificial de logística, cada vez menos casos são classificados como “não entrega” sem explicação. A maioria dos erros agora ocorre por falhas humanas no cadastro ou na comunicação.
Custo zero para o consumidor
Se você tiver direito à substituição ou reembolso, a loja não pode cobrar taxa de manuseio, taxas administrativas ou cobrança de frete para devolução.
O Código de Defesa do Consumidor é claro: “Todo ônus da logística reversa cabe ao fornecedor em caso de não entrega, defeito ou desvio de produto”, segundo o artigo 6º, inciso V.
Isso inclui até o custo de abertura de processo de reclamação no Procon — se você precisar desse serviço, o vendedor pode ser condenado a indenizar por danos morais.
